who can tell what is beautiful and what is not...?
Hoje, meio na brincadeira com a minha camera fotográfica e porque não tinha mais nada para fazer, acabei por explorar um assunto que há muito tempo me cativa a mente e a curiosidade artística: a pele e o corpo humanos. Numa sessão intimista comigo própria em que fiz de modelo e fotografa ao mesmo tempo (não fazem ideia da ginástica que se tem que fazer, mas pronto, é o que se pode fazer quando queremos modelos e não os temos, usarmo-nos a nós próprios) dei asas á minha imaginação, intuição e curiosidade artística.
Embora esta primeira sessão como modelo e fotografa conceptual ou "nude" como preferirem, apercebi-me que não só adorara fazer este tipo de coisas, como me tinha suscitado uma fome para fazer mais e apesar dos resultados terem na sua maioria saído mal, gostei particularmente da foto em que se encontra neste post.
Sim é o meu umbigo, e apesar de eu o achar horrível, nesta foto, não sei como, ele tem um "je ne se quois" de sensualidade, até me custa a acreditar de que este é o umbigo horrível com que convivo diariamente.
Descoberta a recente fome por pele humana, apercebi-me que preciso urgentemente de um modelo, gostava de brincar mais com este tipo de fotografia, mas não tenho, nem o corpo nem o descaramento adequados a este tipo de exposições privadas.
É aqui que entram os meus problemas contraditórios, a sociedade criou, nas suas mentes ridículas e superficiais, regras Standards de beleza, quem as cumpre é perfeito e quem não as cumpre, não o é. Dadas estas regras, a humanidade disparou, enlouquecida numa obsessão cega pela beleza exterior, desde dietas, lipoaspiração, cirurgias plásticas, implantes mamários, e até reconstruções corporais, o ser humano iniciou uma cruzada monumental pelas formas e técnicas mais perfeitas de se tornar num objecto que todos desejam e querem atingir, um estatuto de Standard de beleza, sem olhar a meios, custos ou a quem, é como se disso dependesse as vidas deles próprios.
"Pobre daquele que não gosta de si mesmo" é aquilo que eu penso, acho que por mais cirurgias que as pessoas façam, nunca vão estar contentes a 100%. O Ser Humano não é um ser conformista, e infelizmente é um ser que cada vez mais vive através de superficialidades ridículas, só para se poder afirmar na nossa sociedade. "Pobre daquele que não gosta de si mesmo" é aquilo que eu penso, mas e quando a busca pela perfeição nos afecta a nós, que por acaso até gostamos da forma como somos? Infelizmente a sociedade tende a rebaixar e a ofender, quem não cumpre as regras, quem se contenta com aquilo que é e vive bem dessa forma, é como se tivessem inveja, porque nós atingimos aquilo que eles gostariam de atingir, um bem-estar connosco próprios que se espelha através do nosso contentamento. Para a sociedade, nós não estamos bem, nós apenas rejeitamos o facto de que podemos mudar, e ser como eles, e que se formos rejeitados e mal-tratados, nos vamos aperceber disso e fazer algo para nos tentarmos tornar como o resto da manada.
Embora as vezes sinta na pele que não sou perfeita, e não sou propriamente a rapariga mais gira no mundo, e que provavelmente sou horrorosa para muita gente (todos nós temos os nossos dias) sinto que este sentimento é resultado da pressão da sociedade, e então olho para o que realmente interessa, posso não ter um corpo perfeito, ou ser uma beleza natural, mas tenho personalidade, carisma, inteligência, uma veia artística, um sentido de humor diferente, e o mais importante, amigos que gostam da minha maneira de ser e me apoiam ou aconselham em todas as fases da minha vida, coisas que muitos provavelmente não terão, porque perdem demasiado tempo a construir as suas vidas e personalidades falsas mas perfeitas.
Por isso meus amigos, termino com a frase que começei "Who Can Tell What is Beautiful And What is not...?" na minha mente..só há uma resposta: NINGUÉM!!
